As Renaissance Faires, ou “renfaire”, não são apenas eventos históricos ou estéticos. Elas existem, sobretudo, como experiências sensoriais completas. Diferente de museus ou exposições tradicionais, a renfaire convida o público a usar o corpo, sentir o ambiente e participar ativamente da festa.
Numa renfaire, tudo passa pelo corpo:
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o som dos tambores e alaúdes,
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o cheiro da comida e da bebida artesanal,
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o toque dos tecidos, armaduras e acessórios,
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as danças, jogos, encenações e brincadeiras.
O riso é um elemento central nesse universo. Historicamente, festas populares medievais e renascentistas eram espaços de excesso, humor físico, sátira e inversão de papéis sociais. O corpo ria, tropeçava, exagerava, reagia. O riso não era apenas entretenimento — era parte da experiência coletiva.
É nesse ponto que surge uma conexão natural com as cócegas.
As cócegas representam uma das formas mais primitivas e universais de riso corporal:
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são involuntárias,
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são sensoriais,
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exigem proximidade,
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e quase sempre envolvem brincadeira, confiança e entrega ao momento.
Embora as cócegas não façam parte oficial da história das renfaire, elas dialogam diretamente com o espírito lúdico e sensorial desses eventos. Ambas celebram o corpo presente, o riso espontâneo e a experiência compartilhada — algo cada vez mais raro em um mundo excessivamente digital.
Assim, olhar para a renfaire sob essa ótica é enxergá-la não apenas como uma recriação histórica, mas como um espaço onde o corpo volta a ser protagonista: sentindo, reagindo, rindo e vivendo o agora.


